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Enoteca - Tópico: Dasein & Vinho

Mensagem
14/06/2009
Essa pergunta de Ikuyo é uma grande cilada. No bom sentido, digo. Aqueles que se aventuraram por Heidegger em seu monumento Ser e Tempo percebem a dificuldade dos tradutores em encontrar termo latino equivalente para o germânico DASEIN. Não basta saber alemão. É preciso ainda e, sobretudo, traduzir do alemão para o alemão (como diz uma de suas tradutoras Márcia Schuback).

A dificuldade não está em traduzir a palavra DASEIN e sim em traduzir a estranheza de seu sentido verbal. Importante é experimentar a estranheza do sentido verbal de um substantivo tão comum e simples como DASEIN.

A dimensão fundamental do DASEIN está na temporalidade do acontecer, ou ainda como tensão do durante, do entre, do per-durar. Nesse sentido DASEIN é o ser, mas não reduzido à visão organicista, de organismo vivo. Algo mais próximo de presença que de um corpo. A resposta ocidental à questão do ser, desde os pré-socráticos, é que ser é PRESENÇA, a qual se refere ao momento presente do tempo como oposto ao passado ou futuro. E daí o diálogo filosófico direciona-se para o sentido do ser ou para o sentido da existência. Confuso? Parece ser. E não é vontade de dar aula sobre Heidegger. É curioso que naquele outro tópico havia dito que Heidegger parece-me indecifrável; não tenho cabedal para compreendê-lo. Mas cheguei a me debruçar sobre o DASEIN.

Dito isto, Ikuyo, vejo na relação entre o encontro do extraordinário no ordinário, do divino no mundano, do raro no comum a possibilidade do dasein no vinho. Nas vezes em que pude perceber o "clamor da consciência" dentro da eventual impessoalidade da bebida, posso ter passado próximo ao DASEIN do vinho.

É por isso que, em sua essência, a presença, o DASEIN, tem de tomar posse expressamente do que se descobriu contra a aparência e a distorção e sempre se reassegurar da descoberta.

Quando, como?

Terraza de Los Andes Gran Reserva Malbec 1999 (a primeira vez que percebi, numa degustação cega, um grande vinho).
Viña Tondonia Gran Reserva Tinto 1989 (quantos clamores há dentro de uma garrafa?)
Um Chinon de Charles Joguet bebido há uns 4 anos. Acho que era um 2000.

13/06/2009
Se Gramsci disse "A história ensina, mas não tem alunos", não é eu que vou dar aula sobre Dasein de Heidegger.

Mas no ano que nasci no Japão - 1949 - Jung escreveu um prefácio para a tradução do livro I Ching do chinês para alemão. Um trecho que sempre relembro está aqui:

"One cannot easily disregard such great minds as Confucius and Lao-tse, if one is at all able to appreciate the quality of the thoughts they represent; much less can one overlook the fact that the I Ching was their main source of inspiration. I know that previously I would not have dared to express myself so explicitly about so uncertain a matter. I can take this risk because I am now in my eighth decade, and the changing opinions of men scarcely impress me any more; the thoughts of the old masters are of greater value to me than the philosophical prejudices of the Western mind."

Boa leitura, em: http://www.iging.com/intro/foreword.htm

13/06/2009
Gustavo, desconfio que é inapresentável, excusez-moi. Who knows, possa ser compartilhada pelas pessoas que passaram pela mesma experiência. Do tipo, despertar de Kundalini...que até Jung tentou estudar.

13/06/2009
Ikuyo, também desconheço totalmente. Nos apresente, S'il vous plâit....

12/06/2009
Não sei o que é isso, admito minha ignorância e nem recorrerei ao Google para fingir que já me deparei com isso. É de comer ou de passar no cabelo? (hahaha). Ou seja, minha experiência é nula.

12/06/2009
O que vocês acham de Dasein & Vinho?
Quais foram as suas experiências pessoais?