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Super-clones de Carmenère

por André Logaldi — Última modificação 11/09/2009 14:43:00

Amigos, pelo visto eu não sou o único ser que detesta vinho com odor de mato, aquele cheirinho de babosa que nem sempre é bem vindo nos vinhos, em excesso claro. O Chile está se preocupando em achar um "super-clone" de Carmenère que melhore seu desempenho nos quesitos tempo de maturação (que é muito longo) e a quantidade (quase sempre exagerada) de pirazinas que dão aquele cheiro de mato e pimentão, sobretudo se o viticultor devido ao clima, não puder esperar a longuíssima maturação da casta no vinhedo.
Assim, num futuro próximo, quem sabe, teremos Carmenères com uma maturação menos longa, muita fruta, pouco mato (mas não ZERO para não perder a tipicidade). Claro, não se pretende mesmo zerar as pirazinas porque quando a maturação fenólica acontece, os odores agradáveis de pimenta aparecem, graças à estes compostos.


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07/11/2009 10:40:40
Complementando: Jancis Robinson diz em seu site que o Alto de Piedras Carmenère 2006 foi "um dos mais impressionantes e agradáveis Carmenères que degustei"... "Carmenère maravilhosamente amadurecida, sem o menor sinal de excesso de maturação". Já me deixou salivando!!!

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07/11/2009 10:35:19
Caros, conforme me ensinou o extraordinário enólogo Marcelo Retamal, da De Martino (Decanter), o "truque" (que ele menciona como se fosse a coisa mais fácil do mundo) consiste em fazer com que a Carmenère tenha as especiarias secas e não verdes, como muitos produtores chilenos apresentam. Como essa vinícola foi pioneira nessa cepa, a experiência proporcionou uma melhoria na qualidade desses vinhos. Isso depende da colheita, que deve aguardar uma maturação maior das uvas; Retamal procura colhê-las quase como se fossem vendage tardive, com o que reduz o desagradável aroma de babosa que meu querido André tão bem pontificou.

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13/09/2009 21:18:15
Crianças, a cabernet franc entra no corte bordalês porque amadurece mais cedo, tem boa maturação fenólica e tem principalmente o frescor que o Elmo assinala. A carmenère que é usada e permitida em cortes bordaleses, só entra nos vinhos de quem a planta (óbvio) mas também só nos anos em que amadurece bem, ou seja, anos quentes e secos, que são o oposto do padrão climático de Bordeaux. Este é o principal motivo dela ser preterida na “terra santa”. Ao contrário, a cabernet franc amadurece cedo e bem, mesmo em anos frios o que garante um frescor e uma “arredondada” geral no blend, juntamente com a merlot. Quanto aos traços organolépticos de uma “boa e madura” carmenère não difere muito da cab franc,a não ser pela acidez: possuem traços vegetais, bons taninos, aportam frutado. Todavia a acidez é inferior. O problema é esperar que a carmenère atinja este patamar de madurez, o que é difícil neste terroir e por isso ela gera pouco interesse, tendo não mais que 10 hectares plantados em Bordeaux, dados de 2001! (Pode ser até menos). Lembrando: Clerc-Milon e Le Puy costumam usar a carmenère nos blends.

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